quarta-feira, 19 de setembro de 2007

LENÇOL DE PAPEL

A desértica cama de casal
Dá-me na cara a solteirice.
Vem logo, mulher!
Já me cansei de apanhar de um leito tão maior que eu.

Vem, mulher, vem depressa!
Mas traz contigo um travesseiro
Resistente às tuas garras.
Já se apóia minha cabeça em plumas de sonho e experiência.

Vem voando, mulher!
Mas vem em carne, osso e libido.
Há tanto suor e saliva a se valer
Já que os loucos se embalam no gentil rítmo das meretrizes.

Quanto mais te espero cá
Morro mais no escuro da noite.
Vem, mulher, vambora!
É que ainda se aguarda um poema a se grafar nos meus lençóis.

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